Uma catedral com apenas uma torre
A Catedral da Encarnação foi iniciada no século XVI e passou mais de 250 anos em construção. Quando as obras finalmente pararam, em 1782, a torre sul nunca tinha sido terminada. Em espanhol, uma pessoa a quem falta um braço é manca — por isso as pessoas começaram a chamar-lhe carinhosamente La Manquita: « a pequena maneta ».
Vê-se num relance: a torre norte ergue-se completa e elegante, enquanto a do sul fica a meio. É precisamente esse desequilíbrio que dá caráter à catedral — e o que a transformou no símbolo da cidade.
A lenda: o dinheiro foi para a independência americana
A história mais popular sobre o motivo pelo qual a torre nunca foi terminada liga-a à independência dos Estados Unidos. Durante o reinado de Carlos III, parte dos fundos destinados a concluir a catedral terá sido usada, em vez disso, para ajudar as treze colónias a derrotar os ingleses do outro lado do Atlântico.
O relato apoia-se num famoso filho de Málaga, Bernardo de Gálvez, um militar que desempenhou um papel fundamental nessa guerra. Os americanos agradeceram-lhe dando o seu nome a uma cidade do Texas — Galveston — e enviando a Málaga uma placa que reconhecia « a ajuda económica prestada por Gálvez na Guerra da Independência dos EUA ».
É a versão romântica, a que os habitantes mais gostam de contar — mas veja-a como aquilo que é: uma bela lenda, não um facto comprovado.
A versão mais bem documentada: uma estrada
Os historiadores que duvidam da história americana apontam para algo bem mais terra a terra: o dinheiro terá ido provavelmente para a construção da estrada que liga Málaga a Vélez-Málaga, um projeto mais urgente na altura do que rematar uma torre. Menos épico — provavelmente mais verdadeiro.
Uma torre nunca terminada — e ainda bem
Com o tempo, a torre em falta deixou de ser um defeito. La Manquita é visível a partir de metade da cidade, é a silhueta que se reconhece ao chegar, e é o nome que os habitantes usam. Para muitos, terminar a torre agora estragá-la-ia.
